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CONTEÚDO ADULTO · TEMPORADA A DIVULGAR

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FAIXA 08 · DRAG À LA CARTE

Passivo Ditador

O corpo não é cargo

Ativo não é profissão. Passivo não é prisão. A faixa confronta a cobrança de transformar alguém em funcionário permanente do desejo alheio.

O título provoca; o alvo é a imposição. A canção não faz guerra contra passivos nem exige versatilidade de ninguém. Recusa a fantasia de um corpo sempre pronto para confirmar o desejo alheio. No palco, o tribunal vira a mesa em que cada pessoa pode devolver ou reescrever sua própria ficha.

Letra completa

Letra: Fábio Romualdo Guimarães — F. K. Guimarães.
Texto do conjunto autoral fornecido, com suas marcações e repetições.

[Intro falada]

Alô, Tribunal do Tesão? Hoje a pauta é simples: Ativo não é emprego fixo. Passivo não é prisão. E versátil… não pede autorização. [Verso 1] Ele quer um macho carimbado Peito estufado, olhar de aço Pauzão grosso, sempre armado Vinte e quatro horas no mesmo compasso

Quer o boy pronto, sem pergunta Com tesão de plantão Mas se me vê olhando pra outro lado Já decreta intervenção Se eu digo: “hoje eu quero dar” Ele fecha a cara, corta o clima Me chama logo de confuso Mas confuso é transformar desejo em doutrina [Pré-refrão] Não é crime perder a pose Nem trocar de direção Meu tesão não é contrato Nem cabe em definição [Refrão] Passivo ditador Quer meu corpo em plantão Só ativo, sem folga Sem direito à variação Passivo ditador Escuta essa informação: Ativo não é profissão Passivo não é prisão Se eu quero dar Se eu quero comer Meu corpo não precisa Se explicar pra você [Pós-refrão / coro] Livre, livre, livre Fora da sua jurisdição Livre, livre, livre Meu desejo não tem patrão [Verso 2] Se eu brocho, vira manchete Se eu mudo, vira traição Quer o machão de vitrine Como peça de coleção Quer o ativo sempre pronto No tamanho da ilusão Mas desejo não é máquina Nem certificado de função Eu não sou troféu de cama Nem fantasia de poder Quem te pega hoje à noite Também pode querer se render [Pré-refrão 2] Não é crime ter vontade Não é crime se mover Quem nasceu para sentir Não nasceu para obedecer [Refrão] Passivo ditador Quer meu corpo em plantão Só ativo, sem folga Sem direito à variação Passivo ditador Escuta essa informação: Ativo não é profissão Passivo não é prisão Se eu quero dar Se eu quero comer Meu corpo não precisa Se explicar pra você [Ponte falada / ballroom] Mas atenção, meu amor: Isso não é uma guerra contra passivo. Cada um gosta do que gosta. Cada corpo tem seu jeito. Cada cama tem seu acordo. O problema começa quando você quer mandar no desejo de quem está com você. Porque amor não é escala. Tesão não é patente. E ninguém nasceu pra ser função permanente. [Break dançante] Ativo não é profissão Passivo não é prisão Ativo não é profissão Passivo não é prisão Versátil, versátil Sem culpa, sem condição Versátil, versátil Fora da opressão [Ponte final / virada] E se o pau não quer subir? Não chama a fiscalização Nem todo prazer da cama Depende de uma ereção Tem boca, tem carinho Tem corpo, imaginação Tem lubrificante, unha curta E talento na mão Eu não sou lésbica, amor Mas eu também tenho mão Também tenho mão Também tenho mão Também tenho mãooooo [Ad-lib falado] Meu amor… se o pau descansou, a mão assumiu o plantão. [Refrão final] Passivo ditador Pode ouvir meu refrão: Meu corpo não é cargo Meu desejo não é função Passivo ditador Chega de fiscalização Ativo não é profissão Passivo não é prisão Se eu quero dar Se eu quero comer Se eu quero só dançar Não preciso responder [Outro falado] Meu amor… Não quer um versátil? Então não tenta transformar um homem livre num funcionário do seu tesão.